Os vitoriosos contaram a história: o lado ignorado do regime militar

Vez ou outra o debate sobre o período militar no Brasil é reaquecido e a opinião popular costuma sempre se polarizar. Afinal, o regime militar foi bom ou ruim? A opinião costuma separar-se em ‘sim’ ou ‘não’, causando discussões, brigas e debates que nunca acabam.

A verdade é que foi uma época de guerra ideológica que posteriormente viraria uma guerra física, marcada de sangue nas mãos dos dois lados. Um deles, o dos militares, já é constantemente acusado, e com razão, pelos males feitos na época. Mas e o outro?

Bem, o outro, conta sua versão da história pelos quatro cantos do mundo desde que se saíram vitoriosos em 1985. Apelando para o sentimentalismo alheio, militantes e ex-guerrilheiros de esquerda espalham para todos que sofreram perseguição, torturas, e outros tipos de opressão, além de alegarem ter lutado pela democracia.

Os socialistas eram realmente os ‘mocinhos’ de toda a história? A história é bem diferente do comum contado em salas de aula. O discurso democrático e anti-ditadura não passa de apelo emocional para conquistar a confiança do ouvinte, e consequentemente poder sobre seus pensamentos.

Aqui há um breve resumo do que realmente aconteceu de 1964 a 1985:

O início

Em 1922 os ideais comunistas chegam ao Brasil com a fundação do Partido Comunista Brasileiro, que ganhou a confiança da URSS após defender o comunismo no país. Com isso, o partido passou a fazer parte da Internacional Comunista.

O PCB passou a infiltrar-se em quartéis militares e sindicatos, influenciando esses a participar da revolução comunista no Brasil através de revoltas, agitações, greves, protestos e luta armada. Tais ordens vinham diretamente de Moscou.

O militar Luís Carlos Prestes se tornou o principal líder da revolução comunista no Brasil, chegando até a visitar Moscou para receber treinamento militar e ideológico para ampliar a revolução no Brasil.

Anos mais tarde, em 1945, Eurico Dutra foi eleito presidente do Brasil, e novamente o PCB inicia sua revolução para tomar o poder. Mas é em 1960, inspirados na revolução armada de Cuba, que o movimento comunista intensificou suas ações, de forma cada vez mais violenta, cometendo atos de terrorismo, roubos, explosões e assassinatos através de grupos terroristas, como o Ação Popular, Comando de Libertação Popular e Vanguarda Armada Revolucionária.

Em 1961, Luís Prestes retornou à URSS para receber ordens para expandir a revolução no Brasil. Voltou apoiando a reforma agrária e socialização de terras através da luta armada, aos moldes chineses, cubanos e soviéticos. João Goulart, então presidente do país, apoiava tais políticas.

Militantes políticos começam a ser enviados para a China, Cuba e URSS, para treinamento psicológico e militar em favor da revolução. O Brasil também contava com centros de treinamento em fazendas compradas por Cuba. Fidel Castro era um apoiador feroz da revolução no Brasil.

João Goulart mantinha relações estreitas com Luís Prestes, apoiador das políticas do presidente, e com o PCB. Goulart defendia a socialização de terras, controle de preços de imóveis, centralização da economia, sindicalização de militares e estatização de empresas e bens naturais. Em 1963 declara estado de sítio e tenta modificar a constituição para ser eleito em 1965, o que era proibido na época. Em 1964, Goulart fez um discurso fervoroso em defesa dessas políticas.

Verde e amarelo, sem foice e martelo

Sob pressão popular, em 31 de março de 1964 o General Olímpio Mourão enviou tropas ao Rio de Janeiro na tentativa de depor Goulart, porém, nem a militância e nem ele se encontravam lá.

No dia 1° de abril João Goulart monta um grupo de resistência e diz que irá permanecer no Brasil como presidente, mas perde o apoio do Senado, que decretou sua deposição, assim assumindo o presidente da Câmara dos Deputados Raniere Mazzili.

Em comemoração a deposição de Goulart, a sociedade civil volta às ruas no dia 2 de abril e reúne cerca de 1 milhão de pessoas na Marcha da Vitória e Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que também pedia por uma intervenção militar. Foi a maior manifestação da história do Brasil até então e uma das maiores até hoje.

Em 9 de abril de 1964 a junta militar Comando Supremo da Revolução assume provisoriamente a presidência do país, reorganizando a política. Foi instituído o Ato Institucional I, que autorizou cassações de mandatos, fim da imunidade parlamentar e investigações a partidos de esquerda. Ao todo, 102 pessoas foram acusadas de conspiração e terrorismo, sendo 41 delas cassadas. Entre eles, Luís Carlos Prestes, presidente do Partido Comunista Brasileiro.

Em 12 de abril, a junta militar deixa a presidência do Brasil e indica o General Castello Branco para a presidência do Brasil. Branco ganhou as eleições na Câmara dos Deputados com 123 votos a mais do que o necessário, e com forte apoio popular. Assim inicia o período de exceção militar no Brasil.

Terrorismo vermelho

Os consequentes ataques deixaram o governo cada vez mais apreensivo com a violência, o levando a adotar medidas mais duras. Em 1968 o presidente Costa e Silva institui o Ato Institucional V, — o famoso AI-5 — que seria a medida mais dura do regime militar. Decorrente de uma doença, Costa e Silva veio a falecer, e o general Emílio Garrastazu Médici assume a presidência, dando continuidade ao programa. O AI-5 determinou o fechamento do Congresso Nacional por tempo indeterminado, a suspensão de direitos políticos, a censura dos meios de comunicação, a cassação de políticos, a concentração de poder na Presidência e punição rígida a guerrilheiros; e é criada o Destacamento de Operações de Informações (DOI).

A intensificação das punições e perseguições geram mais instabilidade. Surgem mais grupos terroristas, roubos, sequestros e assassinatos são cometidos recorrentemente. Em 1969 surge no cenário político Carlos Marighella, um violento guerrilheiro líder da Aliança Nacional Libertadora. Nesse mesmo ano, escreveu o livro Manual do Guerrilheiro Urbano, que ensinava táticas de guerra, assassinato, sequestro e afins. Ainda em 1969, Marighela é o autor de um ataque a bomba ao Quartel General do Segundo Exército, que matou 1 pessoa e deixou 2 feridos.

Em 4 de setembro de 1969 o embaixador americano Charles Burke é sequestrado e sua libertação viria se o governo libertasse 15 prisioneiros. 1 mês depois Carlos Marighela foi morto em uma ação da polícia militar.

Em 1970 o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben é sequestrado, e a libertação custou a liberação de 40 presos. Em 11 de março de 1970 o cônsul japonês Nobuo Okushi foi sequestrado. Em 7 de dezembro do mesmo ano o embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Bucher, foi sequestrado e mantido em cárcere durante 40 dias. Sua liberdade custou libertação de 70 presos.

A maldição do Araguaia

Em 1973 mais tropas são enviadas e infiltradas nos campos guerrilheiros. Foram 2 anos de combate até que, em 1975, a guerrilha no Brasil foi totalmente dizimada. A partir desse ano, o clima foi se apaziguando no país, dando início a abertura política e a anistia a presos, sancionada pelo então presidente João Figueiredo.

Até que em 1985 o regime militar chega ao fim, mas os ideólogos comunistas, após perderem na luta armada, intensificaram a propagação do comunismo no meio cultural, educacional e comunicativo, e são esses que começaram a contar a história na versão deles. Começava então o marxismo cultural no Brasil.

Vítimas

  • Vítimas: Edson Régis de Carvalho, Nelson Gomes Fernandes
    • Causa: mortos em um ataque a bomba no Aeroporto Internacional de Guararapes, em Recife.
    • Autor: Ação Popular
  • Vítima: Mario Kozel Filho
    • Causa: assassinado por uma explosão de 50 Kg de dinamite no Quartel General do Segundo Exército.
    • Autor: Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: Charles Chandler
    • Causa: assassinado em seu carro ao sair de casa, na frente da esposa e do filho de 9 anos, por tiros de metralhadora. Charles tinha 30 anos e era Capitão do Exército Americano.
    • Autor: Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: Charles Burke
    • Causa: sequestrado e mantido em cárcere durante 3 dias. Charles era Embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
    • Autores: Dissidência Comunista de Guanabara e Ação Libertadora Nacional
  • Vítima: Ehrenfried von Holleben
    • Causa: sequestrado e mantido em cárcere durante 23 horas. Ehrenfried era Embaixador da Alemanha no Brasil.
    • Autores: Ação Nacional Libertadora e Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: Nobuo Okushi
    • Causa: sequestrado e mantido em cárcere durante 4 dias. Nobuo era Cônsul do Japão no Brasil.
    • Autor: Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: Giovanni Bucher
    • Causa: sequestrado e mantido em cárcere durante 40 dias. Giovanni era Embaixador da Suíça no Brasil.
    • Autor: Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: Hélio Carvalho de Araújo
    • Causa: segurança do embaixador Bucher e policial federal. Foi morto a tiros.
    • Autor: Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: Alberto Mendes
    • Causa: morto com coronhadas de fuzil na cabeça até ter o crânio esmagado. Alberto era policial militar e investigava acampamentos guerrilheiros na região do Araguaia quando foi descoberto.
    • Autor: Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: David A. Cuthberg
    • Causa: morto a tiros de metralhadora a queima-roupa dentro de um táxi ao sair para conhecer o Rio de Janeiro nos 150 anos de Independência do Brasil. Além de ser morto, terroristas despejaram panfletos das organizações em cima de seu corpo. David era marinheiro inglês e tinha 19 anos.
    • Autores: Vanguarda Armada Revolucionária e Ação Libertadora Nacional
  • Vítima: Gentil Procópio de Melo
    • Causa: morto com 2 tiros ao ter seu carro assaltado.
    • Autor: Partido Comunista Revolucionário
  • Vítima: Alberto da Silva Machado
    • Causa: assassinado ao ter sua fábrica de móveis assaltada.
    • Autor: desconhecido
  • Vítima: José do Amaral
    • Causa: assassinado durante um assalto a um carro-forte. José era policial federal e estava guardando o carro.
    • Autor: Vanguarda Armada Revolucionária
  • Vítima: Nelson Martinez Ponce
    • Causa: metralhado durante um atentado terrorista a um ônibus de viagem.
    • Autor: Movimento de Libertação Popular
  • Vítima: Tomaz Paulino Almeida
    • Causa: assassinado a tiros de metralhadora ao ter seu carro assaltado.
    • Autor: Movimento de Libertação Popular
  • Vítima: João Campos
    • Causa: assassinado ao revistar um carro em uma blitz conduzido por um grupo terrorista. João era policial militar.
    • Autor: desconhecido
  • Vítima: Orlando Lovecchio
    • Causa: perdeu a perna ao ser vítima de uma explosão na Embaixada dos Estados Unidos em São Paulo. Orlando tinha 22 anos, sonhava em ser piloto aéreo comercial e já havia concluído seu curso. Orlando lutou durante anos para receber uma indenização, que foi fixada em apenas R$ 500,00 por mês.
    • Autor: Vanguarda Popular Revolucionária
  • Vítima: Francisco Valdir de Paula
    • Causa: descoberto por terroristas ao espionar uma instalação da guerrilha em uma missão do Exército, foi assassinado a tiros. Seu corpo nunca foi encontrado.
    • Autor: desconhecido

Ao todo foram 126 pessoas assassinadas pela guerrilha armada comunista.

Conclusão

Se ainda duvida de algo, veja com seus próprios olhos os ex-guerrilheiros Eduardo Jorge, Dilma Rousseff, Vera Silva, Franklin Martins, Fernando Gabeira e Carlos Eugênio confessando com suas próprias bocas todos os crimes que cometiam, e a razão pela qual cometiam: ditadura do proletariado.

A história não é um conto de fadas, e não se importa com seus sentimentos. Pode me acusar de ‘apoiador de ditadura’ e espernear o quanto quiser, o passado não vai mudar. Você milita por causas que não conhece e exalta terroristas assassinos e não deseja saber a verdade pois esta vai quebrar o orgulho padrão e prepotente em militantes de esquerda que em seus devaneios estão dotados se toda a razão do mundo.

Não estou pedindo para o leitor sair desta leitura exaltando militares e pedindo uma intervenção. Estou pedindo por uma reflexão justa e madura e um pouco de humildade para reconhecer certos erros e mentiras das quais estamos acostumados a ouvir. Sim, é difícil fazê-los, mas não há nada melhor do que se libertar das amarras da escravidão ideológica.

Et veritas vos liberabit

Bibliografia

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Direita Já. “Ex-marido de Dilma Rousseff confessa crimes cometidos com a guerrilheira.” YouTube, https://youtu.be/ND0KYZbYBc4.

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Kraenski, Mauro, and Vladimir Petrilak. 1964 — O elo Perdido: o Brasil nos Arquivos do Serviço Secreto Comunista.

Marighella, Carlos. Mini Manual do Guerrilheiro Urbano.

Mobilização Patriota. “Eduardo Jorge — lutávamos por uma Ditadura Comunista.” YouTube, https://youtu.be/H5h4xW558hk.

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Teixeira, Mônica. “1964: Entrevistas | Marco Antônio Villa.” YouTube, https://youtu.be/ywI39X9TG5w.

Terranova Filmes. “Reparação.” YouTube, https://youtu.be/1OLG9NtXSAY.

Ustra, Carlos. A Verdade Sufocada — A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça.

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